segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Figurinhas

 


        Nada como uma Copa do Mundo de Futebol para mudar um pouco o foco da atenção da galera. E junto com as novidades do esporte bretão chega o álbum de figurinhas dos jogadores das seleções classificadas para o certame.

 

        Jovens e adultos procuram os 670 cromos, a um custo total de R$ 536,00, isso se o colecionador não comprar, nos 134 pacotes necessários, figurinha repetida, o que é quase impossível. O álbum propriamente dito custa 12 reais ou R$ 44,90 na versão de capa dura.

 

        De quatro em quatro anos o frenesi toma conta dos aficionados. Também, em priscas eras, fui atingido por essa vibe. Do mesmo jeito que acontece hoje (com exceção dos grupos midiáticos que negociam as figurinhas especiais) levávamos para a escola as repetidas para troca ou disputa no “bafo”. Me lembro que, em determinada ocasião, negociei um coleirinho por uma figurinha do Rivelino, uma das mais difíceis na época.

 

        Sem adentrar no mérito do aspecto estritamente comercial envolvido no assunto, é preciso reconhecer o ponto lúdico de interagir, ainda mais neste mundo virtual, com outros interessados, alguns que têm álbuns desde a primeira Copa, realizada em 1930, no Uruguai.

 

        De uma geração mais antiga, tem-se a história das Estampas Eucalol, produzidas pela empresa de mesmo nome fabricante de sabonetes, perfumes e talco. De 1930 a 1957 mais de 2.400 estampas de 54 temas diferentes (entre eles, Santos Dumont, aves brasileiras, Dom Quixote, compositores célebres, escotismo) foram distribuídas ao público.

 

        Algumas séries, como História do Brasil, fizeram tanto sucesso que eram até usadas como material didático nas escolas. Uma canção de Hélio Contreiras, que faz parte do repertório de Xangai, lembra: “Montado no meu cavalo/Libertava Prometeu/Toureava o Minotauro/Era amigo de Teseu/Viajava o mundo inteiro/Nas estampas Eucalol”.

 

        São todas essas coisas. Daqui a pouco vou passar em alguma banca de revistas para comprar mais uns pacotinhos, pois minha neta mais velha precisa completar o álbum dela, onde ainda faltam 89 figurinhas. Até novembro, início da competição, a coleção deverá estar finalizada.

 

        Ainda bem que essa febre só atinge as pessoas de 4 em 4 anos.

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

E o mundo não acabou...

 


        E são 200 anos de independência, desde o famoso Grito do Ipiranga, proferido pelo então Príncipe Regente às margens do riacho de mesmo nome, em São Paulo, naquele ano de 1822, mais de três séculos desde o início da colonização portuguesa em solo pátrio.

 

        Em duzentos anos se constrói muita coisa, ou nada. O Brasil continua sendo o “país do futuro”. Nos tornamos uma República, mas temos o Rei do Futebol e outros nobres tanto no esporte quando na música e em diversas outras áreas do entretenimento.

 

        Infelizmente, a campanha eleitoral serviu para tomar conta desse festejo histórico tão importante, pois (pelo menos não chegou ao meu conhecimento) não se ouviu falar de iniciativas significativas que lembrassem a data, marco inicial da construção de uma nação, com exceção, talvez, da reinauguração, na capital paulista, do Museu do Ipiranga, administrado pela USP, cuja beleza pode ser apreciada no site www.museudoipiranga.org.br.

 

        Vale registrar que a audácia de Dom Pedro I acabou custando caro ao país, pois Portugal recebeu uma indenização no valor de 2 milhões de libras esterlinas, incluindo, nesse cálculo, os 60 mil itens da Biblioteca Real que Dom João VI trouxe para o Rio de Janeiro, em 1808, quando fugiu das tropas napoleônicas. Está tudo registrado no Tratado de Paz e Aliança, assinado em 1825 entre os dois países e arquivado na Torre do Tombo, em Lisboa.

 

        Hoje, 7 de setembro de 2022, atravessamos mais um período conturbado da nossa história, e não se sabe o que o futuro reserva para Pindorama. O que poderia ser motivo de festa e união entre os brasileiros se tornou alvo de disputas insanas entre aqueles que almejam o poder pelo poder. Pelo menos, porém, o dia não teve maiores turbulências, conforme tinha sido previsto pelos arautos da desordem.

 

        Só nos resta seguir em frente, na esperança de dias melhores, onde todos, independentemente de sexo, credo e raça, se sintam acolhidos e amparados de norte a sul, de leste a oeste. Afinal, “já choramos muito/muitos se perderam no caminho/mesmo assim não custa inventar/uma nova canção/que venha nos trazer/Sol de primavera/abre as janelas do meu peito/a lição sabemos de cor/só nos resta aprender”, pois “já sonhamos juntos/semeando as canções no vento/quero ver crescer nossa voz/no que falta sonhar” (Sol de Primavera, Beto Guedes e Ronaldo Bastos).

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Aparências

 


        O uso de máscaras está caindo mais rápido do que manga madura do pé. Depois de um longo e tenebroso inverno, quase ninguém mais usa o anteparo que era moda durante os anos de auge da pandemia do novo coronavírus. Apenas nos ambientes médico-hospitalares ainda é exigida a utilização do pedaço de pano execrado por uns e exaltado por outros.

 

        Polêmicas à parte, me parece interessante observar a diferença que faz ver somente os olhos de uma pessoa ou o rosto inteiro. A moça que trabalha na padaria: imaginava, ao vê-la com máscara, que a feição dela fosse de um jeito. Para minha surpresa, ao me deparar com ela sem máscara, visualizei uma imagem totalmente diferente. E assim com outros também.

 

        É certo que a frase atribuída a Jesus (“as aparências enganam”) tem uma conotação mais espiritual do que material, mas não posso deixar de me lembrar dela quando encontro alguém que conheci usando máscara e agora o vejo de “cara limpa”. Neste sentido, ouso dizer que os olhos são os mais importantes no contexto de “ver” sem julgar os demais componentes (boca, nariz), dentro de um conceito que cada um tem de “beleza”.

 

        Um olhar por cima de uma anteface é capaz de emitir uma luz que nem sempre é percebida quando não se usa aquela proteção. Ao vislumbrarmos um semblante completo, os detalhes se perdem no conjunto, e um apêndice nasal grande pode contribuir para um conceito de “feiura”, da mesma maneira que uma cavidade bucal desproporcional, por exemplo.

 

        Mas como tudo tem seu lado positivo, acredito que o período mascarado contribuiu para que o “olho no olho” fosse uma constante. Assim, ressurgiu um modo de se comunicar que estava deixando de ser comum, pois predominavam as cabeças baixas e olhadas atravessadas. Doravante, quem sabe, o contato visual servirá para sermos mais sinceros e amorosos ao nos fixarmos no lume que todos emanamos.

 

         Daí é dito: “A luz do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!” (Sermão da Montanha, Evangelho segundo Mateus, capítulo 5).

            Foquemos, pois, positivamente, na bondade e na Luz Divina.

 

 


terça-feira, 16 de agosto de 2022

Vida a dois

 


        Hoje, 16 de agosto, minha esposa, companheira, amada, salve, salve e tudo o mais de bom, está aniversariando. Nasceu no ano de 1955, na cidade de Vitória/ES, fazendo, então, nesta data, a provecta, mas nem tanto, idade de 67 anos.

 

        Quando nos casamos, em 16 de dezembro de 1978, ela tinha 23 anos e eu 21. Mais quatro meses e comemoraremos 42 anos de uma existência em comum, com três filhas e três netos (duas meninas e um menino), até agora. Razoável, né mesmo?

 

        Entre alto e baixos, dificuldades, pelejas, discussões e momentos “o amor é lindo”, acredito, do meu ponto de vista, que o saldo é extremamente positivo. Ninguém passa impune por mais de quatro décadas morando debaixo do mesmo teto. O jeito de um e o de outro acaba se moldando numa amálgama bíblica que, se ainda não é perfeita, caminha nesta direção.

 

        Contudo, algumas coisas dizem respeito à individualidade, pois nós, seres humanos, somos diferentes e temos, digamos, nossas próprias manias, um jeito peculiar de ser. Por exemplo: conversando com amigos, dias desses, minha querida sexagenária comentou que, ao ver dela, eu falo pouco aquelas três palavrinhas que nos filmes românticos de Hollywood e adjacências são, geralmente, sussurradas à meia-luz.

 

        As demais dignas representantes do sexo feminino presentes manifestaram apoio inconteste. Acho até que o singelo comentário deve ter causado algum reboliço em lares vizinhos, pois quer me parecer que o suave reclamo da minha mulher encontrou respaldo em outros corações românticos. Quão duro é aquele importante músculo do sistema cardiovascular masculino.

 

        Peça vênia para apresentar uma pequena defesa. Sou uma pessoa prática. Acredito no fazer. A teoria, às vezes, me incomoda. Assim, entendo que atitudes outras podem, muito bem, demonstrar a existência de um sentimento profundo comprovando a união dos casais sem a necessidade de declarações romantizadas pela mídia. Carinho e respeito mútuo provam isso.

 

         Mas, para não dizerem que sou insensível e que tenho a compreensão bruta, aproveito este espaço, e atendendo conselhos de alguns, ainda, poucos, mas fiéis leitores(as), digo aqui em público, com todo o estardalhaço que a palavra escrita permite, em alguns dos mais variados idiomas existentes: EU TE AMO (português), I LOVE YOU (inglês), ICH LIEBE DICH (alemão), ANA BEHIBEK (árabe), NGO OI NEY (chinês), TE AMO (espanhol), JE T"AIME (francês), ALOHA I"A AU OE (havaiano), TI AMO (italiano), AMO-TE (português lusitano), TECHIHHILA (sioux), MENA TANDA WENA (zulu), YA TEBYA LIUBLIU (russo), KIMI O AI SHITERU (japonês) e EGO AMO TE (latim antigo).

 

        Ufa! Nem doeu, mas é suficiente por algum tempo.

 

Seja feliz, meu amor.

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Saber viver

 


        Tem gente que me acha uma pessoa simpática, mas acredito que seja significativa minoria em relação àqueles com quem tenho contato, principalmente quando o relacionamento social é fugaz.

 

        Aí vem um amigo, um tanto desavisado, quer me parecer, perguntar sobre a origem da palavra “cortês”, que significa demonstração de cortesia, que se expressa com gentileza, que é gentil e educado (www.dicio.com.br).

 

         Cortês, diga-se de passagem, é diferente de corte, apesar da raiz comum, cujo uso com acento circunflexo caiu em desuso após a vigência do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A palavra corte possui vários significados, podendo ser pronunciada com a vogal aberta (ó), no caso de uma lesão, por exemplo, ou com a vogal fechada (ô), referindo-se aos integrantes de uma realeza, que estão próximos de um rei ou rainha.

 

        Voltando, então, ao tema. Segundo o site www.origemdapalavra.com.br, cortês “veio do Latim cors, originalmente “lugar cercado”, o que levou depois ao significado de “os que estão num pátio, companhia” e depois ainda “corte” – aqueles que estão nas cercanias do poder real. Esperava-se também destas pessoas que tivessem maneiras refinadas e superiores”.

 

        Esse adjetivo de dois gêneros, portanto, tem, na sua origem, ligação com corte, quando usado no sentido de se referir ao lugar onde um rei reside, assim como aos integrantes da Casa Real. Do ponto de vista religioso cristão, existe a Corte Celestial, que é conjunto dos anjos e santos que estão à volta de Deus.

 

        No livro do Apocalipse, capítulo 4, o apóstolo João relata que na Corte Celestial encontra-se um arco celeste e 24 tronos, onde se sentam anciãos ao redor de Deus, todos vestidos de branco e com coroas de ouro. O profeta Ezequiel os chama de querubins. Para alguns, compõem uma espécie de tribunal divino, pronto para aplicação da justiça quando chegar o tempo do Armagedom.

 

        Dessa maneira, a prática do respeito e da cortesia entre nós, seres humanos, é fundamental para que, na presença do Pai Superior, possamos ser julgados por atos e palavras garantidoras de crédito suficiente para que os pratos da balança pesem a nosso favor. Em caso contrário, depois que o fogo purificador tornar cinzas tudo que não presta, imaginem se não sobrar nada de bom. E aí.....já era.

 

        Então, amigo, ser cortês, e todos os outros bons praticados inerentes, nos faz merecedor de integrar a Corte Celestial. Ser cortês/educado é uma demonstração de amor ao próximo, um dos pilares essenciais para quem acredita que somos todos irmãos e a Humanidade é uma só.

 

        Dai-me, Senhor, condição de tratar melhor meus semelhantes.

 

       

domingo, 31 de julho de 2022

Vento, Sol e praia

 



Se não fosse o gélido vento sul a indicar que ainda estamos vivenciando o inverno, o Sol brilhante e as praias lotadas, tanto de banhistas como de vendedores ambulantes, poderiam dar a falsa impressão de que o verão resolveu adiantar as estações do ano e atropelar a primavera para ocupar antes da hora o seu lugar.

 

No ano de 2022 as temperaturas mais baixas, pelo menos neste litoral sul capixaba, não deram as caras com força, e as férias escolares foram marcadas por uma grande movimentação de turistas, já afastado o medo pandêmico em relação à COVID-19 e pouca ou quase nenhuma preocupação com a bola da vez, a tal da varíola dos macacos.

 

Enquanto isto, no quartel de Abrantes, tudo continua como dantes. Os políticos continuam fazendo política em interesse próprio, seja qual for o espectro ideológico, as eleições se aproximam (teremos?) e os discursos permanecem os mesmos: eu sou o melhor, você é o pior, eu só falo a verdade, você é um mentiroso, vice-versa, etc. e tal. Projetos e propostas: nega de pitibiriba.

 

A vitória canarinha na Copa do Mundo de Futebol no Catar, em novembro/dezembro, causa mais preocupação do que a suposta possibilidade de um golpe antidemocrático e a implantação de uma nova ditadura no país. Fico imaginando se é porque muitos dos atuais 215 milhões de habitantes (dados projetados pelo IBGE) não sentiram na pele os percalços do regime militar extinto em 15 de março de 1985, ou seja, pessoas que, nascidas após aquela data, hoje têm entre 30 e 40 anos de idade.

 

Obviamente que o sistema educacional nacional não permite supor que esses jovens tenham um mínimo de conhecimento sobre aquele período histórico. São poucos aqueles com esta faixa etária que tenham noções gerais sobre História do Brasil. Cursei faculdade com mais de 40 anos (era o mais velho da turma) e ficava admirado, para não dizer estupefato, com o desconhecimento dos colegas, entre 18 e 25 anos, de ambos os sexos, em relação às personalidades e aos acontecimentos que forjaram este país.

 

Entendo que não sejam culpados. Não é de hoje que se relega a segundo plano a formação intelectual da nossa juventude, pelo menos num mínimo aceitável, para que se possa saber o que aconteceu antes que fez com que chegássemos até aqui.

 

Bom, voltando ao calor, banho de mar e outras coisinhas mais interessantes. Segundo o site Climatempo a semana será de tempo firme, com Sol, poucas nuvens e chuva passageira. Que bom. Quem sabe este veranico aqueça mentes e corações e possamos chegar em outubro com tudo mais claro, pacificado e num ambiente onde vencedores e vencidos estejam mais preocupados com o bem-estar comum do que com suas próprias vaidades.

 

Quem viver, verá.

sábado, 23 de julho de 2022

Motorzão 6.5

 


        Eis que o Tempo, o Grande Senhor que comanda tudo quanto há, na sua marcha inexorável, passa novamente na minha porta, encerrando um período e iniciando um novo ciclo da minha existência terrena.

 

        Sessenta e cinco anos desde aquele 23 de julho de 1957, numa tarde de inverno, quando vim ao mundo, à base de fórceps, no Hospital São José, em Vitória.

 

        Nas voltas que o mundo dá, cresci, aprontei, maltratei pessoas com a ignorância dos que acham que sabem muito e, aqui e acolá, acertei alguma coisa, cativei e fui cativado. Não sei qual o meu saldo atual perante o Universo, pois a balança da eternidade é que mostrará o meu peso e o meu valor, se é que tenho algum. Como diz um amigo meu: “Todo mundo é gente boa, tirando o que não presta”. Rezo para que na extirpação da parte deletéria ainda sobre alguma coisa.

 

        Importante, porém, a meu ver é que estou aqui, com esposa, filhas, netos e amigos. Vivendo e achando bom, enfrentando as provações inerentes à nossa condição humana na certeza de dias melhores.

 

        Agradeço a Deus por chegar até aqui, e poder ir além. Sou grato a todos com quem me deparei, os que colocaram pedras no meu caminho e os que a retiraram. Peço perdão àqueles que magoei, fiz sofrer e tratei mal. Tenho procurado ser uma pessoa melhor a cada dia, mas nem sempre consigo manter este foco. É difícil amar a prática fiel do bem, mas eu chego lá.

 

        Tanta coisa ainda por fazer, tanta coisa ainda para aprender. Nesta longa caminhada de muito mais do que mil passos ninguém sabe o dia de amanhã, mas elevo meu pensamento ao Pai Superior para que prolongue meus dias neste corpo e me permita, quando for a distante hora do desencarnamento, chegar lá com dignidade, em paz comigo mesmo e com todos e com a felicidade da certeza do dever cumprido.

 

        Enquanto isso, aguardemos os 66, 67, 68 e muito mais.