Apesar de meus quase 70 anos de vida somente recentemente me vi pela primeira vez num centro cirúrgico na condição de paciente. Fui fazer uma cirurgia de desvio de septo nasal, ou seja, a popular septoplastia. É um procedimento seguro, de baixo risco e pequena complexidade, tudo por via endoscópica, totalmente por dentro do nariz, sem cortes externos ou cicatrizes.
(Parênteses: anos atrás, em Porto Velho, quebrei o úmero e a primeira avaliação foi de que seria necessária uma cirurgia. Fiquei internado, jejum, risco cardíaco, mas uma avaliação posterior descartou a operação. Fiquei 42 dias com o braço numa tipoia, e pronto).
Cheguei para a internação, confesso, um tanto ansioso, pois já sabia que haveria uma sedação inicial, seguida de anestesia geral e intubação, o que, sendo leigo no assunto, me deu a impressão de uma coisa perigosa. Porém, fui muito bem recebido pela equipe profissional, tantos os médicos quanto as enfermeiras, e depois de uma descontraída conversa inicial (toda anestesista é meio maluquinho?) só me lembro de acordar quando tudo já havia sido feito.
(Nas minhas elocubrações, imaginei que poderia ter uma experiência tipo aquelas de “quase morte” e voltaria com um livro de autoajuda que venderia milhares de exemplares com o relato do meu encontro com Deus e outros seres divinos. Só que não. Dormi igual a uma pedra, até porque a anestesia geral não é um sono natural, mas induz a um estado de inconsciência controlada com total ausência de memórias).
Vida que segue. Me senti um pouco fraco e suando frio, talvez por conta de ter ficado mais de 12 horas em jejum, logo eu, que sou um glutão nato. Alimentado, fiquei umas horas em observação e à tarde recebi alta. Vinte e quatro após estou em casa, tendo que ficar uns dias em repouso, medicado e fazendo constantes lavagens do nariz com soro fisiológico. Quase nenhum sangramento. Trinta dias sem esforço físico intenso (tchau, academia).
Meus agradecimentos ao Dr. Bruno Caliman (otorrino), ao Dr. Wellington (anestesista), à Flávia (instrumentadora cirúrgica) e também a toda a equipe profissional do hospital da Unimed. “Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem”, cantava a extinta banda Blitz, mas na atual existência espero essa que tenha sido a primeira e última experiência cirúrgica da minha vida. A gente ficar fora do ar momentaneamente, mesmo que num ambiente controlado, não me parece que seja uma coisa para se repetir.
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