Um dos livros mais interessante que li recentemente é Cartas de um diabo a seu aprendiz, de C.S. Lewis, mais conhecido por ser também o autor de As crônicas de Nárnia, série de fantasia clássica que deu origem a uma franquia de três filmes, e cuja sequência cinematográfica será lançada mundialmente em fevereiro de 2027.
Cartas... foi publicado em 1942 e faz uma sátira, através de 31 correspondências fictícias trocadas entre um demônio experiente e seu sobrinho aprendiz, ao conceito do que é mal ou perverso, subvertendo a lógica de que os grandes problemas da humanidade se concentram em governos corruptos, ditadorezinhos de republiquetas ou traficantes, assassinos e bandidos de todas as matizes.
O texto demonstra que, na realidade, às vezes as pessoas se colocam dentro de infernos particulares quando se envolvem em distrações errôneas (por exemplo, apostas ou pornografia), nos atritos domésticos e nas pequenas irritações do cotidiano. Para Lewis, essas são as táticas mais eficazes usadas por Satanás e seus asseclas, atingindo o ser humano em suas fraquezas, vaidades, orgulho e inconstâncias de comportamentos. Nem sempre são pecados escandalosos ou grandes maldades que pesam nas consciências.
Pequenas sutilezas e falta de atenção podem levar homens e mulheres por veredas perigosas, que passam desapercebidas, dando à ilusão uma aparência de realidade. Diz o escritor: “O mais seguro é o caminho que leva ao inferno por graus suaves: a encosta suave, macia, sem curvas repentinas, sem marcos sinalizadores, sem beiradas”. E ainda: “Assassinato não é melhor do que jogar cartas, se as cartas servirem para o mesmo propósito”.
“Mente vazia, oficina do diabo” é um ditado popular muito conhecido, que resume bem o sentido da obra de Lewis, pois a falta de ocupação facilita bastante o surgimento de pensamentos negativos, ansiedades ou impulsos ruins. Ensina Jesus: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Evangelho de Mateus 26:41).
Sempre alerta, pois todo cuidado é pouco.
Nenhum comentário:
Postar um comentário