A imprensa inteira repercutiu o presente que Neymar Pai deu para Neymar Júnior: uma kombi super estilizada, cheio de acessórios e mimos dos mais variados, a exemplo da cor original da Volkswagen azul Danúbio, televisão de 43 polegadas, teto solar, acabamento em couro com os nomes da família bordados, volante especial e sistema de som com CarPlay. O veículo, que é o mesmo no qual o então jovem craque era levado aos treinos, tem até nome, Filomena, e está avaliado em 270 mil reais.
Me lembrei que na minha infância meu saudoso pai também possuiu uma Kombi. Na verdade, duas. Família grande – casal e mais 4 filhos – acho que era a única opção de algo parecido com um SUV que havia na época, pelo menos dos carros fabricados no Brasil. Na época, salvo engano, morávamos em Guaçuí.
Não me lembro bem da primeira Kombi, mas a segunda era metade vermelha e metade branca, com umas cortininhas nas janelas, o que era considerado um luxo. Tinha até cinzeiros. E forro no teto, além de isolamento acústico, porque o motor traseiro refrigerado a ar era bem barulhento. Nela, fizemos uma viagem de férias pelas cidades históricas de Minas Gerais – Ouro Preto, Diamantina, Mariana, Congonhas e Tiradentes. A perua aguentou bem o tranco. Fomos também na Gruta do Maquiné, em Cordisburgo, cidade natal do escritor, médico e diplomata Guimarães Rosa.
Nos meus olhos juvenis era tudo uma maravilha. E achei sensacional ficar hospedado em hotéis, o que foi uma novidade sem igual. Muitos anos depois, quando ainda morava em Porto Velho/RO, numa das visitas de papai, alugamos uma Kombi e curtimos boas lembranças, passeando nós seis: eu, ele, minha esposa e três filhas/netas.
Se eu já não estivesse com tanta preguiça de dirigir nessas ruas esburacadas (o que muito me incomoda também são os motoqueiros abusados), acho que arrumaria uma Kombi motorhome e daria um rolezinho pelas vizinhanças, junto com meu bem-querer. Quem sabe!