sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Livros

 

Não sou nenhum especialista em crítica literária, mas de vez em quando me atrevo a fazer alguns comentários a respeito de publicações que me chamaram a atenção. Hoje, quero falar de duas delas, a saber:

 

1)      Carta aos pais, João Luiz Neves Loureiro, Ed. do Autor, 2026

 

O escritor é formado em História, com especialização em Educação e Psicopedagogia. Por vocação, exerce o Magistério em escolas públicas e particulares de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro.

 

A obra, com pouco mais de 100 páginas, tem o subtítulo “A força do exemplo na construção de uma sociedade melhor”. O prefácio esclarece: “Meu objetivo é facilitar a caminhada de meus irmãos, para que possam experimentar a paz e a serenidade de cumprir sua missão com louvor, deixando como legado filhos e filhas felizes, pessoas boas e emocionalmente fortes, sementes lançadas para um mundo melhor”.

 

Apesar de às vezes denotar um tom ligeiramente panfletário, João Luiz Neves Loureiro consegue atingir o seu intento, e transmite a sua mensagem de maneira clara e segura, sem tapar o sol com a peneira, e sim demonstrando a sua convicção e a sua firmeza de uma forma a não deixar dúvidas: ou a família se estrutura dentro de uma ética e de uma moral, onde as vidas se construam com base no amor a Deus e no respeito mútuo, ou a degradação social atingirá limites inimagináveis.

 

Todo aquele que acredita na família como um pilar absolutamente essencial à existência de nações em que o ser humano seja o direcionamento principal à vida em comum com paz e progresso deve ler Carta aos pais. É quase um manual para encaminhar na direção do Bem aqueles que “...são os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma...E embora vivam convosco, não vos pertencem...Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força...Pois assim como ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável” (O Profeta, Khalil Gibran).

 

2)      A oligarquia dos poderes e a crise da democracia, Joaquim Falcão, Ed. Intrínseca, 2026

 

Autor de diversos livros, Joaquim Falcão é membro da Academia Brasileira de Letras. Jurista, tem por especialidade o Direito Constitucional.

 

Se a obra anteriormente descrita é um chamamento à vida, ao amor e à alegria, o trabalho de Falcão é um alerta que deve soar nos ouvidos de todos os brasileiros como um sinal fortíssimo de que a República Federativa do Brasil está com as suas engrenagens corroídas pela ferrugem da politicalha, da corrupção e da bandalheira. Adverte, sem meias palavras, que se a oxidação não for combatida a tempo, com os produtos químicos adequados, as colunas já frágeis do nosso ordenamento político-jurídico desabarão inapelavelmente na cabeça de todos nós.

 

Falcão explicitamente demonstra que a independência dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário -, idealizada pelo filósofo francês Montesquieu, através do sistema de freios e contrapesos, já tem muito tempo que deixou de existir no Brasil. Para ele, a situação atual é a de que “unidos, os oligarcas capturam a lei pelo texto, pela aplicação e pela interpretação. A lei passa a servir de instrumento de manutenção do status quo e não de transformação. A interesse particulares em vez de públicos. Ao bem individual em vez do público. Ao autobenefício em vez do benefício coletivo. O critério básico das duas regras que unem a Oligarquia dos três Poderes é simples: exercer a competência da interpretação constitucional de tal modo que esta apenas os beneficie e não os prejudique diretamente” (página 72).

 

E mais: “Para tanto, buscando sempre a satisfação de seus autointeresses, os Poderes Estatais fazem um acordo entre si. Um conluio, em que um Poder deixa de controlar o outro, propositadamente, para garantir o mesmo benefício de todas as autoridades. Para se perpetuarem no mando. Aumentarem-se dinheiros, competências, poder” (página 251).

 

Me lembrei de ter ouvido, tempos atrás, um programa radiofônico em que o locutor perguntava aos ouvintes quais eram os três maiores problemas brasileiros. Falou-se em segurança, saúde, educação e outras mazelas. Até que um cidadão mais ácido colocou o dedo na ferida: “Os três problemas são o Executivo, o Legislativo e o Judiciário”.

 

Mas para não dizerem que não falei de flores, cito o grande romancista e dramaturgo pernambucano Ariano Suassuna: “Não sou nem otimista nem pessimista. Os otimistas são ingênuos e os pessimistas, amargos. Sou um realista esperançoso. Sou um homem da esperança”.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Quase 70

 

Conforme consta nos registros oficiais, com base nas informações fornecidas por meus pais, nasci em 23 de julho de 1957, às 15hs. Portanto, estou comemorando meus primeiros 69 anos de vida, e contando.

 

“Viver é bom, mas saber viver é melhor ainda”, dizia um amigo meu. E outro, também já falecido, afirmava: “Vivendo e achando bom”. Com certeza, envelhecer, a exemplo da própria existência, é um ato da bondade de Deus, até porque a outra hipótese, ou seja, morrer jovem, me parece que não seja das melhores.

 

Já ouvi um tanto de gente falar que não se arrepende de nada do que fez. Esses acredito que sejam pessoas de muita fibra e determinação, porque eu me arrependo de um bocado de coisas que poderia ter evitado para chegar à velhice numa condição melhor. Mas não desisto, pois enquanto há vida, existe esperança.

 

Sou imensamente grato às forças universais do bem que me permitem ter uma família maravilhosa – esposa, três filhas e quatro netos, além de dois genros que complementam toda essas alegria, sem olvidar de meus três irmãos e uma madrinha que nunca esquece desse afilhado relapso. Hoje, ao longo do dia, venho recebendo também manifestações sinceras de amigos queridos, que enchem de emoção meu coração. Nem sei como retribuir.

 

O tempo que me resta é uma incógnita. Mas quero prolongar os meus anos, quero viver mais, em paz comigo e com todos, perante Deus. Por isso que Gonzaguinha cantava: “”Eu só sei que confio na moça/E na moça eu ponho a força da fé/Somos nós que fazemos a vida/Como der, ou puder, ou quiser/Sempre desejada/Por mais que esteja errada/Ninguém quer a morte/Só saúde e sorte/E a pergunta roda/E a cabeça agita/Eu fico com a pureza/Da resposta das crianças/É a vida, é bonita/E é bonita” (O que é o que é?).

segunda-feira, 20 de julho de 2026

2030

 

Pois é, o que era para ser um emocionante jogo de futebol, foi uma partida morna, sem muitas emoções, em que a Espanha aplicou magistralmente o seu famoso estilo tiki-taka e, mais uma vez, “cozinhou o galo” (a exemplo do que já havia feito contra os franceses) até marcar o gol da vitória e esperar o tempo da prorrogação passar. Com um jogador a menos e sem que Leonel Messi tivesse oportunidade de demonstrar o seu grande talento, a Argentina patinou e La Roja, derrubando todas as previsões, conquistou a Copa do Mundo pela segunda vez.

 

França e Inglaterra, na disputa do terceiro lugar, fizeram um jogo em que o placar (6 a 4 em favor dos ingleses) parecia mais futsal do que soccer, no dizer do povo norte-americano. Apesar da derrota, Kyllian Mbappé terminou a competição como maior artilheiro (10), fazendo história também ao se tornar o primeiro atleta com mais gols em duas edições e assumindo a artilharia histórica geral, somando 22 gols, enquanto La Pulga totalizou 21 vezes em que mandou a bola às redes. E contando, porque o francês deve ter mais um ou duas copas pela frente.

 

E agora? Nada mais resta do que esperar 2030, numa Copa do Mundo que antes de começar já parece bem esquisita: terá jogos na Espanha, Marrocos e Portugal, além de partidas iniciais na Argentina, Paraguai e Uruguai em comemoração ao centenário da primeira disputa, ocorrida em 1930, em Montevidéu. Lembrando que esses seis países já estão automaticamente classificados, abrindo espaço para a proposta da FIFA de aumentar o número de competidores de 48 para 64. É o futebol e marketing indissoluvelmente unidos.

 

E o Brasil, Ancelotti e companhia? Sem comentários.