O jeito que as pessoas falam, a maneira de compreender a vida e o entendimento de situações as mais diversas trazem embutidas visões surpreendentes, umas até irônicas, mas outras profundamente cheias de significados e reflexões, inclusive porque existe aquele famoso ditado: “A voz do povo é a voz de Deus”.
Nas festas, no cotidiano e nas crenças populares a reflexão crítica da população faz um contraponto com o saber acadêmico tradicional, buscando usar palavras simples para explicar ideias complexas, sem observância de cânones ou linguagem complicada.
Frases que usamos diuturnamente são exemplos marcantes desse conhecimento, como “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura” (traduz a ideia da persistência), “Quem vê cara não vê coração” (diferença entre a aparência e a essência verdadeira) e “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando” (valorização do aqui e agora).
Fiz esse arrodeio todo, porém, tão somente para contar um papo cabeça que tive recentemente com um caboclo nortista, daqueles que foram criados com mamadeira de açaí e caldo de tucupi. De acordo com o insuspeito cidadão, na vida só precisamos de duas coisas: beleza e paciência. Obviamente, perguntei o motivo de tal conclusão. A resposta não tardou:
- Quando está tudo bem, beleza.
- Quando não está bem, paciência.
Nem precisa dizer mais nada, né mesmo?!