sábado, 20 de junho de 2026

Sei não...

 

3 a 0 no Haiti.

 

Em tempos outros, diriam os mais antigos (eu, por exemplo), seria de seis para mais. Mas, o que temos é isso aí, uma seleção sem padrão de jogo, com jogadores embolados dentro de campo (parece que não sabem o que fazer com a bola), dependendo do lampejo solitário de um Vini Jr da vida. Muito pouco. A gente torce, mas acreditar...

 

França e Argentina estão dizendo ao que vieram, e os Estados Unidos também não estão brincando em serviço, a exemplo da Alemanha. Parece pouco provável que o Brasil tenha alguma chance quando começarem os jogos eliminatórios. Endrick é uma solução? Pelo menos o cara está com fome de bola. Porém, já diz o ditado: uma andorinha só não faz verão.

 

Escócia? Uma incógnita. Quarta-feira saberemos.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

E vamos nós

 

Mais uma vez começa outra Copa do Mundo de Futebol, agora com algumas inovações na quantidade de participantes, regras novas e muita polêmica por conta das restrições impostas pelos Estados Unidos, um dos três países que sediam a competição, à entrada de atletas e até de árbitros. Nada a se estranhar, considerando o modus operandi do Governo Trump. O importante, porém, é a bola em jogo.

 

Não acompanhei diretamente as conquistas brasileiras de 58 e 62, pois tinha, respectivamente, um e cinco anos de idade. Em 66 me lembro de alguma coisinha, mas a de 1970 ficou registrada na minha memória, não só por ter sido a primeira transmitida na televisão ao vivo e em cores, mas também pela vitória histórica do dito escrete canarinho. Obviamente, com 13 anos de idade, estava distante das questões políticas que envolviam o país na época (vide Brasil 70: A Saga do Tri, na Nexflix).

 

Continuei fã de futebol, para não dizer fanático, nas competições seguintes, até a grande decepção na Espanha, em 82, com a desclassificação inesperada da equipe montada por Telê Santana, que, por sua qualidade técnica, chegou perto do time do Zagallo/João Saldanha. Deixei um tempo de acompanhar tão de perto e em 1994, a Copa do tetra, nem vibrei muito. Estava em outra.

 

Em 1998 e 2002 (penta) cheguei junto novamente, mas em 2006 e em 2010 nem lembro do nome de algum jogador. Em 2014 a Copa foi em solo nacional. Morava em Porto Velho, na ocasião, e fui assistir, em Manaus, na Arena da Amazônia, Itália x Inglaterra, vencida pelos italianos por 2 a 1. Mas aí veio aquela fatídica semifinal contra a Alemanha e....bom, deixemos para lá.

 

Passei incólume por 2018 e 2022. Em 2026 estou sem muitas expectativas. É certo, porém, que quando o hino tocar e o coração acelerar, o torcedor escondido dentro de mim vai querer se manifestar, mesmo que, conforme disse Romário (aquele que tem o maior orgulho de ser humilde), não tenha “nenhum jogador que eu possa dizer: esse é f.....”.

 

Mas as cores verde e amarela têm o seu valor. Estamos na torcida. Aguardemos, pois, o que acontecerá.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Tributo

 

Esse negócio de nascer para depois ficar sabendo que um dia vai morrer é uma das coisas mais complicadas para se ter uma explicação realmente compreensível, seja no campo científico ou através da fé. Às vezes fico pensando que deveríamos saber quando iremos dessa para melhor, tipo dia e hora, mas depois chego à conclusão que criaria uma ansiedade danada. Já pensou quando faltasse um ano, seis meses ou 24 horas? Deus me defenda!

 

Mas, sendo a única certeza absoluta que temos, quando acontece com uma pessoa benquista voltam todas essas indagações e perplexidade ante o inevitável. Nesse 30 de abril de 2026 deixou o plano material a Sra. Heloísa Helena Vellozo Nogueira de Sá, uma prima querida que faria 90 anos de idade no dia 04 de maio. Lolô, como era carinhosamente chamada por todos aqueles que a amavam, era uma das moças mais bonitas da sociedade capixaba de sua época, e fazia sucesso nos bailes sociais do Clube Vitória, no Parque Moscoso. Tinha 21 anos quando eu nasci, em 1957, e se tomou de amores por mim.

 

Me deu meu primeiro apelido – Didigo (meu nome de batismo é Rodrigo) – e guardou em sua memória todas aquelas bobagens que as crianças falam e que os familiares acham lindo. Aliás, era também um arquivo vivo de toda a história de nossos antepassados, bem como de seus descendentes. Nosso último encontro, há pouco mais de dois meses, foi no aniversário da filha de uma sobrinha, e cometi uma descortesia lamentável, achando que estava fazendo uma brincadeira superengraçada. Perguntei se ela ainda sabia quem eu sou. Naturalmente, como era de seu estilo, de quem não tinha arrodeios e nem duas caras, me mandou tomar alguma coisa em algum lugar. E passou o resto da festa reclamando de minha grosseria. Se arrependimento matasse, eu teria morrido ali mesmo. Pedi desculpas, e espero que tenham sido aceitas, senão é sujeito ela qualquer noite dessas aparecer e puxar o meu pé.

 

Lolô e minha mãe, Tildinha, tinham uma relação bem peculiar. Adoravam implicar uma com a outra, mas se amavam profundamente. Em vez de tia e sobrinha, pareciam duas irmãs. Lolô frequentemente passava temporadas na casa dela, ali na Mata da Praia, em Vitória. Curiosamente, quando minha mãe acordava, logo cedo de manhã, Lolô estava indo se deitar, após mais uma noite insone, acompanhada de seu notebook, do cigarro, que nunca abandonou desde a juventude, e de um ou dois cálices de gim. Viveu intensamente. Acredito que tenha ido em paz.

 

“Assim os dias passarão/virão as novas gerações/outras perguntas, prováveis canções/outro mundo, outra gente, outras dimensões/e na hora marcada, em algum lugar/uma estrela virá para lhe acompanhar” (Assim os dias passarão, Almir Sater e Renato Teixeira).

 

Que Deus a receba em sua morada.