domingo, 15 de fevereiro de 2026

Sol e praia

 

O verão em seu ápice está sendo generoso com os turistas aqui em Guarapari, garantindo dias de Sol e praia para ninguém botar defeito. Mineiros e outras procedências não podem reclamar de nada, a não ser do trânsito caótico e dos preços exorbitantes, que garantem o sustento dos comerciantes e ambulantes (grandes e pequenos) no restante do ano.

 

Os guarda-sóis ocupam todo o espaço de areia disponível e fazem um espetáculo de bonita plasticidade, vistos de cima do calçadão, com seus coloridos diversos, desenhos e formatos os mais variados, garantindo sombra aos mais branquelos refastelados em suas cadeiras de alumínio. Entre gritos anunciando milho cozido, pastel de camarão e coco gelado corpos quase desnudos tostam cobertos de camadas generosas de filtro solar.

 

Findo o Carnaval, daqui a poucos dias, eis que todo esse movimento cessa abruptamente, como um passe de mágica. Da noite para o dia as ruas ficam vazias e os prédios retomam à rotina do restante dos meses, com pouca ou nenhuma ocupação. E os moradores fixos têm a cidade de volta, pelo menos até o próximo feriadão. Aguardemos na paciência.

 

E o ano nem bem começou e já estamos quase em março. O outono se aproxima célere, e com ele a transição para temperaturas mais amenas, ou não, porque com as tais mudanças climáticas não se sabe mais ao certo se fará frio ou calor. Mas vamos em frente, caminhando, caminhando e caminhando, esperando o que virá e fazendo acontecer o que for de nosso alcance.

 

No dizer de Almir Sater e Renato Teixeira na linda música No rastro da lua cheia: “E o vento pastoreando/Aquelas nuvens no céu/Fazia o mundo girar/Veloz como um carrossel/E levantava a poeira/E me arrancava o chapéu/Ah, o tempo faz/Tempo desfaz/E vai além sempre”.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Altas ondas

 

Acostumado a pisar em terra firme e a não entrar na água além do limite da altura do umbigo, resolvi aceitar o convite de um amigo para dar um passeio pela orla marítima de Guarapari, desde o Canal até as Três Praias, a bordo de uma pequena mas potente lancha com capacidade para oito pessoas sem contar o capitão da embarcação, no caso, o próprio proprietário.

 

Logo na saída da marina, em Perocão, fomos surpreendidos por uma pane seca, e ficamos parados uns tantos minutos aguardando outra embarcação trazer combustível para fazer o reabastecimento. Início promissor, para não dizer o contrário. O mar estava calmo, com pouco vento e, na sequência, chegamos logo ao primeiro ponto turístico: 3 Praias.

 

Na verdade paramos naquela que é considerada a segunda das três praias, onde um grupo de amigos nos esperava. Fiquei na areia enquanto esses outros convidados davam um giro. Na volta, já mais vermelho do que camarão, passamos em frente à praia do Morro até o Canal sob a ponte que interliga o centro da cidade aos bairros.

 

Quando retornávamos à marina, eis que novamente acabou a gasolina da lancha. Dessa vez o vento soprava com maior intensidade, e o socorro demorou. Com isso, a marola que balançava o barco começou a me enjoar (devia ter tomado um remedinho, mas fiquei com medo de ter sono). Estava também de estômago vazio. Graças a Deus conseguimos aportar antes que eu tivesse que entornar o caldo.

 

Resumindo: apesar de a visão do mar para a terra ser das mais interessantes, com uma nova perspectiva de locais onde anteriormente havia andado tão somente a pé, cheguei à conclusão de que não nasci para ser marinheiro. “Quem é do mar não enjoa”, já cantava o veterano sambista Martinho da Vila, mas minha “praia” mesmo é o velho e bom chão firme.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Varandas

 

É de amplo conhecimento público que Guarapari, nesta época do ano, principalmente depois do Natal e até o Carnaval, é invadido por hordas de turistas de muitas outras localidades, mas principalmente aqueles oriundos das Minas Gerais. Fala-se até de um acréscimo populacional, ao longo da temporada, de mais de 1 milhão de pessoas.

 

Prédios inteiros, que passam o restante do ano com poucos habitantes, são ocupados de cima a baixo, superlotando garagens e apartamentos. Da minha sala, ponto de observação discreto, acompanho de longe, quando não estou me ocupando com nada melhor, o movimento de 24 varandas do outro lado da rua, que na baixa temporada só servem, em sua ampla maioria, para acumular poeira. Impossível não olhar, até porque, imagino, eventualmente posso estar sendo olhado também.

 

São pessoas de todas as cores e idades, com seus hábitos e horários distintos. Um solitário senhor de bigode ao estilo do humorista mexicano Cantinflas, logo cedo senta-se numa cadeira de alumínio a pitar um cigarro. Um pouco mais no alto, uma família se movimenta com apetrechos de praia. À esquerda, um casal de idosos limpa vidraças e janelas. Em outra, aciona-se um Mop numa mão e em outra atualiza-se a mensagem do celular.

 

Em duas delas uma rede atrai a preguiça após um banho de mar. Uma outra virou depósito, com tralhas diversas, desde uma churrasqueira enferrujada até cadeiras amontoadas entre pedaços de compensado. Poucas, talvez três, possuem vasos de plantas. Acho que são dos moradores fixos, porque ninguém vai ficar carregando essas espécies vegetais ornamentais de um lado para o outro.

 

Um ponto em comum são os varais. Diuturnamente é aquela faina de estender ao Sol calças, camisas, toalhas e até roupas íntimas, que são recolhidas ao cair da tarde. Uma varanda, com seus vidros quase sempre fechados e indevassáveis, não deixa passar nada, somente a luz opaca de uma lâmpada acesa. Nas horas matinais, em outro ponto, uma senhora tricota o seu crochê, tendo ao lado uma jovem que beberica tranquilamente uma xícara de café ou alguma outra coisa.

 

Fico imaginando o que faz tanta gente deixar os seus lares para um acampamento, por assim dizer, um tanto improvisado, onde a impressão que fica é que a rotina diária é intensificada, com as demandas que uma temporada de férias trazem. Será que voltam para casa descansados ou mais cansados ainda? Mas acho que gostam, porque todo ano voltam. Sejamos felizes.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Dia de Reis

 

Conclui-se hoje, 6 de Janeiro, o ciclo natalino iniciado com a data consagrada ao nascimento do Menino Deus, em 25 de dezembro, e a festa do Ano Novo, na noite de 31 para 1º.

 

A tradição cristã relembra a visita dos Reis Magos – Baltazar, Belchior e Gaspar - até Belém, quando se apresentaram a Jesus com as oferendas de ouro, incenso e mirra, após uma jornada de 12 dias guiados pela Estrela do Oriente.

 

 O Evangelho de Mateus (2:1-12) relata: “¹ Depois que Jesus nasceu em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do Oriente chegaram a Jerusalém² e perguntaram: "Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo".³ Quando o rei Herodes ouviu isso, ficou perturbado, e com ele toda a Jerusalém.⁴ Tendo reunido todos os chefes dos sacerdotes do povo e os mestres da lei, perguntou-lhes onde deveria nascer o Cristo.⁵ E eles responderam: "Em Belém da Judéia; pois assim escreveu o profeta:⁶ ‘Mas tu, Belém, da terra de Judá, de forma alguma és a menor entre as principais cidades de Judá; pois de ti virá o líder que, como pastor, conduzirá Israel, o meu povo’ ".⁷ Então Herodes chamou os magos secretamente e informou-se com eles a respeito do tempo exato em que a estrela tinha aparecido.⁸ Enviou-os a Belém e disse: "Vão informar-se com exatidão sobre o menino. Logo que o encontrarem, avisem-me, para que eu também vá adorá-lo".⁹ Depois de ouvirem o rei, eles seguiram o seu caminho, e a estrela que tinham visto no Oriente foi adiante deles, até que finalmente parou sobre o lugar onde estava o menino.¹⁰ Quando tornaram a ver a estrela, encheram-se de júbilo.¹¹ Ao entrarem na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram. Então abriram os seus tesouros e lhe deram presentes: ouro, incenso e mirra.¹² E, tendo sido advertidos em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram a sua terra por outro caminho”.

 

Considera-se esse momento a primeira revelação de Jesus ao mundo não-judaico, ou seja, aos gentios, mostrando-O como Salvador de toda a humanidade, uma vez que os sábios que o visitaram eram de diferentes origens étnicas – Melchior (Pérsia), Gaspar (Índia) e Baltazar (Arábia).

 

Possamos nós também, aqueles que creem num Só Deus Verdadeiro, que reina no Céu e na Terra, reconhecer no Filho do Homem a sua Eternidade, o Pão da Vida, o Verbo Encarnado, o Princípio e o Fim, o Bom Pastor, o Rei dos Reis, a Luz do Mundo, e que as suas boas aventuranças estejam sempre a nos guiar no caminho da salvação, nos libertando de todas as maledicências e nos conduzindo à casa do Pai.

 

“O cego viu, o côxo caminhou/O mudo de nascença falou/Quando Jesus andou aqui/Jesus o Bom Pastor da casa de David/Aleluia, aleluia, aleluia” (Noite de Santos Reis, Elomar).

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Resoluções

 

Entra ano, sai ano e as coisas meio que se repetem. Esperanças renovadas, tudo mundo sonha com dias melhores, mais saúde e prosperidade e sem esquecer, obviamente, da Mega da Virada. Dois mil e vinte e seis chegou chegando, trazendo em seu bojo, além do bafo quente do verão, todo aquele sentimento de que agora será diferente. E tome listinha de coisas a se fazer, e outras daquilo que não se pretende fazer mais.

 

No meu caso, espalhei aos quatro ventos que vou cuidar melhor da minha saúde, prometendo uma reeducação alimentar severa, que inclui três procedimentos básicos a começar da zero hora do dia 1º de janeiro, a saber: não tomar refrigerantes, não comer glúten e não comer açúcar. Só isso. Nos dias que antecederam ao réveillon esses comandos mentais pareciam fáceis e plenamente plausíveis. Confesso que estou com medo de ter exagerado na dose, mas até aqui está tudo bem. Estou cumprindo à risca o prometido. Conforme diriam os gringos: So far, so good.

 

Um amigo meu, porém, foi mais realista. Também preocupado com o sobrepeso e com aquelas gordurinhas viscerais e danos cardíacos dos excessos à mesa, jurou de pé junto que, em 2026, não colocará na boca nenhum pedaço de berinjela, chuchu ou jiló. Quiabo só de vez em quando. Coca-Cola zero açúcar nem pensar. Sorvetes e doces em geral apenas após as principais refeições. Fez até um mantra pedindo a Deus força e resistência para cumprir seus objetivos. Esse tem o pé no chão.

 

Brincadeiras à parte, tudo que a gente puder fazer, seriamente, em prol do nosso próprio beneficio é um dia, ou uma semana ou alguns meses a mais que ganhamos para ter uma vida o mais saudável possível, porque apesar dos pesares ter a oportunidade de conviver mais tempo com nossos familiares e amigos alegra a nossa existência. E vamos em frente, porque o ano está só começando. Que venham os próximos 364 dias.