Não sou nenhum especialista em crítica literária, mas de vez em quando me atrevo a fazer alguns comentários a respeito de publicações que me chamaram a atenção. Hoje, quero falar de duas delas, a saber:
1) Carta aos pais, João Luiz Neves Loureiro, Ed. do Autor, 2026
O escritor é formado em História, com especialização em Educação e Psicopedagogia. Por vocação, exerce o Magistério em escolas públicas e particulares de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro.
A obra, com pouco mais de 100 páginas, tem o subtítulo “A força do exemplo na construção de uma sociedade melhor”. O prefácio esclarece: “Meu objetivo é facilitar a caminhada de meus irmãos, para que possam experimentar a paz e a serenidade de cumprir sua missão com louvor, deixando como legado filhos e filhas felizes, pessoas boas e emocionalmente fortes, sementes lançadas para um mundo melhor”.
Apesar de às vezes denotar um tom ligeiramente panfletário, João Luiz Neves Loureiro consegue atingir o seu intento, e transmite a sua mensagem de maneira clara e segura, sem tapar o sol com a peneira, e sim demonstrando a sua convicção e a sua firmeza de uma forma a não deixar dúvidas: ou a família se estrutura dentro de uma ética e de uma moral, onde as vidas se construam com base no amor a Deus e no respeito mútuo, ou a degradação social atingirá limites inimagináveis.
Todo aquele que acredita na família como um pilar absolutamente essencial à existência de nações em que o ser humano seja o direcionamento principal à vida em comum com paz e progresso deve ler Carta aos pais. É quase um manual para encaminhar na direção do Bem aqueles que “...são os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma...E embora vivam convosco, não vos pertencem...Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força...Pois assim como ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável” (O Profeta, Khalil Gibran).
2) A oligarquia dos poderes e a crise da democracia, Joaquim Falcão, Ed. Intrínseca, 2026
Autor de diversos livros, Joaquim Falcão é membro da Academia Brasileira de Letras. Jurista, tem por especialidade o Direito Constitucional.
Se a obra anteriormente descrita é um chamamento à vida, ao amor e à alegria, o trabalho de Falcão é um alerta que deve soar nos ouvidos de todos os brasileiros como um sinal fortíssimo de que a República Federativa do Brasil está com as suas engrenagens corroídas pela ferrugem da politicalha, da corrupção e da bandalheira. Adverte, sem meias palavras, que se a oxidação não for combatida a tempo, com os produtos químicos adequados, as colunas já frágeis do nosso ordenamento político-jurídico desabarão inapelavelmente na cabeça de todos nós.
Falcão explicitamente demonstra que a independência dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário -, idealizada pelo filósofo francês Montesquieu, através do sistema de freios e contrapesos, já tem muito tempo que deixou de existir no Brasil. Para ele, a situação atual é a de que “unidos, os oligarcas capturam a lei pelo texto, pela aplicação e pela interpretação. A lei passa a servir de instrumento de manutenção do status quo e não de transformação. A interesse particulares em vez de públicos. Ao bem individual em vez do público. Ao autobenefício em vez do benefício coletivo. O critério básico das duas regras que unem a Oligarquia dos três Poderes é simples: exercer a competência da interpretação constitucional de tal modo que esta apenas os beneficie e não os prejudique diretamente” (página 72).
E mais: “Para tanto, buscando sempre a satisfação de seus autointeresses, os Poderes Estatais fazem um acordo entre si. Um conluio, em que um Poder deixa de controlar o outro, propositadamente, para garantir o mesmo benefício de todas as autoridades. Para se perpetuarem no mando. Aumentarem-se dinheiros, competências, poder” (página 251).
Me lembrei de ter ouvido, tempos atrás, um programa radiofônico em que o locutor perguntava aos ouvintes quais eram os três maiores problemas brasileiros. Falou-se em segurança, saúde, educação e outras mazelas. Até que um cidadão mais ácido colocou o dedo na ferida: “Os três problemas são o Executivo, o Legislativo e o Judiciário”.
Mas para não dizerem que não falei de flores, cito o grande romancista e dramaturgo pernambucano Ariano Suassuna: “Não sou nem otimista nem pessimista. Os otimistas são ingênuos e os pessimistas, amargos. Sou um realista esperançoso. Sou um homem da esperança”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário