quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Paz


 

   

        Segundo o Dicionário Online de Português, paz é um substantivo feminino que significa “estado de calmaria, de harmonia, de concórdia e de tranquilidade; calma”. É sinônimo de silêncio, sossego, acordo, amizade, conciliação, entendimento, harmonia e união. Tem origem etimológica no latim pax, pacis, ausência de guerra.

 

        Um amigo diz que a paz é o maior tesouro que o ser humano pode encontrar na face da Terra. Tenho que concordar. Nada é mais reconfortante do que não se preocupar com coisa alguma, deixar a vida levar os acontecimentos, tanto fazendo frio ou calor, chovendo ou não. Aquele momento zen em que não sofremos nenhum abalo.

 

        Entretanto, parece que a humanidade de uma maneira geral gosta de uma confusão, uma bagunça qualquer. A maneira simples de ser incomoda, e o dito popular “se pode complicar, por que facilitar?” está presente no cotidiano de muitos, tanto no fazer quanto no falar. E isso é uma tendência mundial, haja vista os líderes espalhados nos quatro cantos do mundo.

 

        A paz, conforme visto acima, muitas vezes existe de maneira forçada, tanto nos relacionamentos individuais quanto no campo político/diplomático/econômico das nações, o que é uma falsa presença desse sentimento, que deve ser o ponto fundamental em todas as manifestações de homens e mulheres verdadeiramente com boa vontade.

 

        Tenho procurado evitar pessoas agitadas e agressivas, que possam me tirar do sério, pois, infelizmente, ainda tenho o estopim curto, mas já estou melhorando. Seguir tranquilamente em harmonia com todos é meu ideal de vida. Sonho com um mundo sem fronteiras, sem barreiras de idiomas e no qual possamos navegar nesse mesmo barco azulado remando todos numa mesma direção. Utopia, dirão alguns. Talvez, mas sonhar não custa nada.

 

        No seu famoso poema Desiderata o filósofo e advogado norte-americano Max Ehrmann ensinou: “Siga tranquilamente entre a inquietude e a pressa, lembrando-se de que há sempre paz no silêncio..... Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores, você merece estar aqui e, mesmo se você não pode perceber, a terra e o universo vão cumprindo o seu destino. Procure, pois, estar em paz com Deus, seja qual for o nome que você lhe der. No meio do seu trabalho e nas aspirações, na fatigante jornada pela vida, conserve, no mais profundo do seu ser, a harmonia e a paz. Acima de toda mesquinhez, falsidade e desengano, o mundo ainda é bonito”.

 

        Que a Paz esteja com todos!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Imensidões

 


         Estava a contemplar o mar, imaginando o que existe além do horizonte (atenção, eu não faço parte de nenhum grupo de terraplanistas), e me lembrei de uma outra imensidão, a floresta amazônica.

 

         Morei, conforme é cediço, mais de 30 anos na cidade de Porto Velho, em Rondônia, e tive oportunidade de vivenciar algumas experiências naquele ambiente, claro que acompanhado de pessoas experientes e conhecedoras, os ditos mateiros, pois minhas raízes urbanas sempre falaram mais alto.

 

         Quer me parecer que a floresta e o oceano representam, simbolicamente, uma mesma dimensão , qual seja, parte da grandeza divina neste plano terreno, pois o tamanho de ambos é tão incomensurável que remete ao Criador e seu infinito poder.

 

         Já andei horas na floresta, em busca de plantas, já dormi debaixo daquelas árvores imensas, já vi chuvas torrenciais e nunca deixei de sentir medo. Assistir documentários com bonitas imagens (e realmente são impressionantes) é uma coisa. Estar lá dentro é outra bem diferente.

 

         A floresta intocada é um ambiente que não admite erros. Os nordestinos que nos tempos dos Soldados da Borracha desbravaram aquela região merecem, na minha modesta opinião, o título de heróis. Varar por aqueles caminhos, com cipós prendendo na roupa, troncos atravessados, insetos incontáveis e muito, muito calor úmido, não é brincadeira.

 

         Na primeira vez que participei de uma aventura dessa, recém-chegado de Vitória, foram três dias de trabalho exaustivo. No segundo, chorei, com pena de mim mesmo, por me sentir tão incapaz no meio daquele mundo desconhecido e ao mesmo tempo belo e perigoso.

 

         Conheci seringais remanescentes, e seus moradores perfeitamente adaptados àquele modo de vida, muitos já agrupados em cooperativas extrativistas, mas ainda dependentes da caça e da pesca como garantia de alguma proteína na alimentação diária, mesmo que empiricamente.

 

         O dom da profecia ainda não alcancei, e enxergo pouca coisa além do meu nariz, mas sei, por experiência própria, que interesses econômicos diversos têm feito de tudo para acabar com a floresta. Exemplo: nos anos 90, da porta da minha casa era possível avistar uma linha de árvores nativas nos limites da cidade; dez anos depois, novos bairros haviam surgido. Outra: em 85, quando fui para o Norte andavam-se quilômetros e quilômetros margeando floresta ao longo da BR 364; em 2019, quando voltei, também de carro, restavam, nos mesmos trechos, somente pastos e plantações de soja e sorgo.

 

         Mas, acredito que os madeireiros e fazendeiros não terão vida fácil, porque se em Rondônia já avançaram bastante, no Acre e no Amazonas ainda restam vastidões desconhecidas que resistem e se mantém incólumes, com seu pulsar de vida e mistérios não desvendados.

 

         Mar e floresta. Deus manifestado.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Canários

 


        Cê veja só!

 

        A vida toda pensei que aqueles lindos canarinhos amarelos que trinavam alegremente no quintal do exuberante casarão onde meu avô paterno morava eram originários de nossa terra brasilis.

 

        Mas agora fiquei sabendo através do oráculo virtual conhecido por Dr. Google, conforme consta no site da Associação dos Criadores de Pássaros de Ribeirão Preto, que os primeiros deles que se tem notícia foram encontrados nas Ilhas Canárias, no Oceano Atlântico, na costa africana, daí, obviamente o nome da ave.

 

        Hoje, após longo período de domesticação, existem mais de 300 cores conhecidas de plumagens, desde a verde original. Diversas variedades foram geneticamente modificadas na Europa, principalmente na Bélgica, França e Itália. Mas nós temos uma subespécie desenvolvida no Brasil, o canário-da-terra, que ainda pode ser visto do Maranhão ao Rio Grande do Sul, habitando regiões descampadas, tais como cerrados, caatingas e campos de cultura.

 

        (Na casa de meu avô, com o passar dos anos, os bichinhos sumiram. Ele atribuiu a causa à invasão urbana dos pardais).

 

        Seu canto forte e ritmado é muito apreciado. Atualmente, os especialistas consideram o Harz Roller, uma variedade de roller alemão, o melhor neste quesito. Entretanto, como tudo neste mundo, tem gente que gosta de uma coisa, e tem gente que já não gosta daquela mesma coisa.

 

        Dias desses, um amigo meu nascido e criado no asfalto resolveu se aventurar numa área rural, mais precisamente passar um final de semana com o sogro, que fazia tempo esperava uma visita dele, e principalmente da filha, no sertão onde curte sua velhice, cercado pela mulher, cachorros e.....pássaros, muitos pássaros, entre eles um canário.

 

        Elogiado por sua técnica vocal, o canário parece que se exibia para os visitantes, gorjeando todo o seu repertório canoro repetidas vezes. Enquanto a conversa rolava, a música (ou barulho, depende do ponto de vista) não incomodava tanto. Na hora de dormir é que foram elas. O pássaro, talvez influenciado pela iluminação artificial da casa, não parava, aproveitando o silêncio da noite e mostrando seus dotes vocais, desde um simples dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, até passagens mais elaboradas, num fôlego interminável de um campeão.

 

        Sem ter muito o que fazer (soltar o canário não dava, matar, nem pensar) o insone cidadão prometeu a si mesmo não voltar lá tão cedo. Pelo menos, enquanto aquele canário estiver por ali. Só a título de informação, registre-se que a expectativa de vida daquele tipo de pássaro, quando criado em cativeiro, é de dez anos. Passa rápido.

 

        E saravá Iemanjá, nesse 02 de fevereiro de 2022. Odoyá Odociaba.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

200

 


         Eis me aqui postando a ducentésima crônica.

 

         Iniciando um novo ciclo de mais cem, até 300, e assim sucessivamente, se o bom Deus permanecer me dando saúde e inspiração para tanto.

 

         Nós, pobres mortais, temos que ralar um bocado para manter o ritmo, pois “quem não é cientista e nem doutor, e não nasceu para ser Pelé, vai morrer trabalhador”, diz o refrão de uma música antiga do cancioneiro popular nordestino, de autoria de Osvaldo Oliveira e intitulada Quem não pode ser Pelé.

 

         O sentido, entretanto, da maneira que compreendo, é que enquanto uns têm o dom de, por exemplo, burilarem as palavras com extrema facilidade, que fluem copiosa e naturalmente da imaginação para o papel (atualmente, tela de computador), outros, como é o meu caso, precisam suar, derramarem lágrimas e sangue para espremerem a memória em busca de um tema que possa suprir a vontade interna de escrever.

 

         Um dos maiores nesse métier de relatar o cotidiano de forma poética, fazendo de momentos simples textos grandiosos em sua universalidade, foi o cachoeirense Rubem Braga, que, ao longo de mais de 62 anos de vida profissional, escreveu cerca de 15 mil crônicas. Carlos Drummond de Andrade chamava-o de “o professor de lucidez”. Disse meu conterrâneo certa vez: ““Eu observo as coisas com dois olhos que, embora castanhos e mesmo tirantes a verde, vêem este mundo com bastante clareza”.

 

         Segundo Carlos Heitor Cony, também um dos grandes, em texto publicado no jornal Folha de São Paulo, na edição de 02 de janeiro de 1998, “quando Rubem Braga não tinha assunto, ele abria a janela e encontrava um. Quando não encontrava, dava no mesmo, ele abria a janela, olhava o mundo e comunicava que não havia assunto. Fazia isso com tanto engenho e arte que também dava no mesmo: a crônica estava feita”.

 

         Esse é o verdadeiro artista, que vê além do que as retinas mostram, materialmente falando, e consegue trazer do além aquilo que nossa pouca sensibilidade ainda não percebe. São poucos, mas ainda bem que existem, pois a maioria da humanidade ainda permanece de cabeça baixa com os olhos grudados no chão. Como diria Ednardo, em Pavão Mysteriozo: “Eles são muitos, mas não podem voar”.

 

         Então, é isso. Vamos em frente.

 

Afinal, de 200 para 15 mil crônicas são apenas 14.800 de diferença.

 

Eu chego lá.

 

 

   

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Sete Vidas

 


         No inconsciente popular a pessoa que escapa de algum perigo é comparada aos gatos, felinos a quem são atribuídas sete vidas.

 

         Mas tem gente que derruba qualquer estatística, e supera situações absurdas que de tão incríveis parecem até mentiras. Gestel é um desses afortunados.

 

         Certa noite, pedalava numa estrada rural indo para o sítio da irmã. No caminho havia um igarapé, onde a Prefeitura estava instalando um bueiro novo, bem no pé da ladeira. Obviamente, tudo escuro, sem nenhuma sinalização da obra e do buraco que tinha sido aberto.

 

Gestel deu velocidade na bicicleta para embalar e subir com mais facilidade do outro lado. De repente, sentiu que o chão faltou e estava voando. Bateu do outro lado do barranco, onde ficou estatelado a noite toda. De manhã, um vaqueiro passando por ali viu aquele homem no meio da lama, ainda vivo. Chamou socorro. Passou oito dias em coma no hospital, com múltiplas fraturas. Sobreviveu.

 

De outra feita, atravessando uma trilha na floresta, foi picado por uma cobra surucucu pico-de-jaca, considerada uma das mais venenosas da América Latina. Distante da cidade, pediu socorro na casa de um seringueiro, que lhe deu para beber querosene com sal. Vomitou. Escapou.

 

Resolveu vender salgadinhos de porta em porta. Um dia, quando fritava pastel, a frigideira incendiou e pegou fogo nele da cintura para baixo. Queimaduras de terceiro grau e meses de tratamento. Ficou com marcas para o resto da vida.

 

Tempos depois, sempre com sua bicicleta, não prestou atenção num cruzamento e foi atingido por um automóvel. Mais uma temporada em leito hospitalar, com quatro costelas quebradas.

 

Foi tirar açaí numa manhã chuvosa. Subiu na palmeira e vinha descendo com dois cachos das frutas, um em cada braço. O estrondo de um trovão anunciou um raio que caiu bem perto. Assustado, escorregou ralando com a barriga no tronco da árvore. Chegou embaixo sem nenhum resquício de pele no peito, que ficou grudada no açaizeiro. Sarou.

 

Subiu numa árvore para colher um cipó. Não quis usar cinto de proteção. Descuidado, pisou numa casa de marimbondo. Sob ataques dos insetos, perdeu o equilíbrio caiu de uma altura aproximada de 20 metros. Gritou: MEU DEUS! Bateu num dos galhos da liana que estava retirando e foi jogado numa cama de folha de embaúba. Cortou só a língua.

 

Foi atacado por uma forte dor de dente. Cidade pequena, sem recursos, procurou dar seu próprio jeito. Buscou numa caixa de ferramentas um alicate e, sob protestos da mulher, que lhe pedia para procurar um dentista, mesmo que fosse um prático (“Não aguento mais, vou arrancar eu mesmo”, dizia), foi para a frente de um espelho e puxou o molar. Fez gargarejo com vinagre e sal e no outro dia já estava trabalhando.

 

A botija de gás pegou fogo. Enrolou a mão direita num cobertor, agarrou a botija e saiu arrastando-a até o terreiro. Desta vez, não queimou nem um fio de cabelo.

 

Teve problema no coração. Os amigos se cotizaram e lhe mandaram fazer uma cirurgia de peito aberto no Rio de Janeiro. Saiu do hospital e foi descansar na casa de uns parentes na Baixada Fluminense.

 

Resolveu dar um volta a pé e se perdeu. Passou a noite numa praça, abraçado com a mulher. Ninguém mexeu com eles. Quando o sol clareou, pediu informação e descobriu que o endereço que procurava era exatamente em frente ao local onde tinha pernoitado com um medo danado de ser assaltado.

 

         Nesta mesma ocasião, voltava de um passeio em Friburgo e o carro quebrou a barra de direção. Estavam ele, um amigo com a esposa e dois filhos. O veículo capotou três vezes. Perda total na seguradora. Escapou todo mundo. Sabe por quê? Gestel estava lá.

 

         Pegou COVID-19. Ficou bom. Saiu do hospital segurando um cartaz de papelão: Eu venci o coronavírus. Ficou famoso. Tem gente que anda no carro com um santinho de São Cristóvão e a foto do Gestel.

 

         Virou lenda.

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Palavras

 

         Desde que em me entendo por gente, conforme se dizia antigamente, que sonhava em ser repórter. Entrevistar/ouvir pessoas. Voltar para a redação e colocar em laudas aquele relato. Me lembro até hoje da minha primeira matéria publicada em A Gazeta, no início dos anos 70. Foi uma reportagem de três ou quatro parágrafos sobre a instalação do DDD no Espírito Santo.

 

         DDD, para quem não sabe ou não lembra, significa Discagem Direta à Distância, sistema que permitia, e ainda permite, fazer ligações de uma cidade para outra sem a interferência de uma telefonista. Grande modernidade da época. A primeira vez que assinei um texto com meu nome, digamos, profissional – Rodrigo Pacheco – foi numa matéria de página inteira sobre as dificuldades econômicas da pecuária leiteira capixaba.

 

         De lá para cá já se passaram mais de 45 anos. E continuo pelejando com as palavras, seus significados, suas combinações, tentando, agora, ser um cronista. Meu Deus, quase meio século, e ainda sou um aprendiz. Será que dia virá em que terei o domínio sobre a escrita? De saber exprimir uma ideia para tocar o coração dos leitores? Pouco provável, tantas as nuances que existem num idioma.

 

         O poeta parnasiano Olavo Bilac definiu o português como “a última flor do Lácio/inculta e bela”. O grande crítico literário e professor Antônio Cândido afirmou: “A Literatura é o sonho acordado das civilizações”. Já o modernista Carlos Drummond de Andrade, o maior de sua geração, definiu: “Lutar com as palavras/é a luta mais vã/Entanto lutamos/mal rompe a manhã” (O Lutador).

 

         Nesse caminhar diário, em que a batalha pelo pão, não raras vezes, me afastou desse ideal, a única certeza é que é preciso praticar, praticar e praticar. Dedilhar um teclado à espera da inspiração mostra que quem não nasceu sabendo precisa transpirar muito.

 

         No dicionário, a palavra inspiração (um substantivo feminino) é a ideia ou pensamento que surge de repente, além do ato mecânico de respirar. A sua veia artística - do latim inspirare, que significada "soprar para dentro" - nasce de dentro para fora, e inspira o sonhador a desenhar, pintar, escrever, tocar, cantar, fotografar, etc. Para alguns, é divina; para outros, mera sinapse cerebral.

 

         Fico com a primeira hipótese. Que as nove musas filhas de Mnemósine ("Memória") e Zeus possam me inspirar cada vez mais, e que eu tenha capacidade de receber, conectado com a consciência universal, o que vier da fonte sagrada divina do belo, sob o manto de Atena, deusa grega da sabedoria, da justiça e da arte.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Nariz e outros acessórios

 


         Conheci recentemente uma jovem com o maior nariz que já vi até hoje. O apêndice nasal da senhorita avança à frente do rosto com força, e se destaca ainda mais porque a dita cuja é desprovida de preenchimento adiposo, então as maçãs da face não conseguem disfarçar o tamanho daquele imenso órgão do olfato. Mais um ou dois milímetros, ele, por força da lei da gravidade, iria pender no rumo de baixo com tudo.

 

         Exageros à parte tem gente com algumas desproporcionalidades. Cabeção, por exemplo. Se o tamanho da cabeça corresponder também a um cérebro maior, uns e outros possuem HD de última geração. O problema é se o cara tiver motocicleta, porque aí tem que mandar fazer o capacete sob medida. No cinema, é aquela situação: “Abaixa!”

 

         E dedo? Já vi um cidadão com uma chulapa de dedão que ocupa fácil a largura uma almofada de carimbo inteira, daquelas de registrar impressão digital. O OK do rapaz pode-se dizer que é enfático. E queixo? Tem cada um impressionante, tipo quadrado estilo tamanco português. Se for no dentista, a área da queixada é tão grande que o odontólogo precisa aplicar dose dupla de anestesia.

 

         Ah, orelha. Já conheceu alguém com o apelido de Dumbo? Pois é. Motivos óbvios. Mas tem também o contrário. Eu, por exemplo, nas primeiras semanas de vida, meu avô materno fez a seguinte observação: “Se Deus não presta atenção, nascia sem nariz”.

 

         E há ainda aqueles casos de perfeição estética. Segundo uma equação matemática conhecida como Beauty Phi, criada pelos antigos gregos, a modelo norte-americana Bella Hadid é a mulher que tem as feições mais simétricas entre as celebridades, incluindo formato do rosto, tamanho e a posição dos lábios, nariz e queixo.

 

O cálculo da chamada Golden Ratio of Beauty (Proporção Dourada da Beleza) foi feito com algumas famosas por uma clínica inglesa, que usou o mapeamento facial digital. Outra bem cotada neste quesito é Beyoncé, e em terceiro, a atriz Amber Heard. Entre as 10 mais estão Ariana Grande, Taylor Swift, Kate Moss, Scarlett Johansson, Natalie Portman, Katy Perry e Cara Delevigne.

 

Enfim, tudo isso pode ser motivo de brincadeiras. Basta não forçar a barra, e o narigudo, o orelhudo ou o cabeçudo ter resiliência suficiente para aguentar. Afinal, conforme diz famoso filósofo acreano cujo nome não lembro agora, “Deus nos livra dos inimigos, mas dos amigos não tem jeito”.

 

         Sejamos felizes com a forma que nossos ancestrais genéticos nos deram.