O cidadão já avançado em vivências e experiências, inclusive um matrimônio que não deu certo, mas ainda bem conservado e musculoso, apesar da calva brilhante que ostentava sem preconceito, alimentava uma vontade: conseguir uma mulher para dividir a escova de dentes, além de outras cositas más, até, quem sabe, em momentos de carnal inspiração, fazer um calamengau.
Arriscou com uma, arriscou com outra, mas ainda não tinha conseguido ter aquele match poderoso, tipo amor à primeira vista, mesmo que a adolescência tenha ficado para trás faz tempo. Finalmente, após muitos erros e poucos acertos, se encontrou com uma morena cor de jambo, praticamente da mesma faixa etária, que também buscava alguém para compartilhar sonhos e pensamentos.
Conversa vai, conversa vem e resolveram juntar os paninhos. Foram para debaixo do mesmo teto. Como se estivessem novamente no pleno vigor dos 20 e poucos anos, transformaram todos os cantos da casa em um ninho de amor. O fogo ardente da paixão laborava com intensidade, mas a idade cobra o seu preço e todo esse ímpeto arrefeceu depois de poucos meses. A rotina se instalou, como é comum acontecer com todos, ou pelo menos a grande maioria, dos casais.
Entendeu que tinha que se acostumar com essas regras da convivência a dois quando numa determinada noite, ao voltar para o lar, doce lar após um dia exaustivo de trabalho, percebeu que não havia comida pronta. Reclamou: “Você não fez o jantar?”. Como se fosse uma repentista nordestina que não manda recado, a esperta balzaquiana respondeu na lata:
- Até um dia desses você não tinha nem mulher, e agora está querendo jantar! Tá no lucro, meu filho!
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Não gosto de fazer proselitismo político, mas para quem quer entender um pouco o caos institucional em que está o Brasil, com problemas nos 3 Poderes, a jornalista Míriam Leitão, na coluna de hoje (08/03/26) em O GLOBO, intitulada “O caso Master consome o país”, debulha o imbróglio. Recomendo.
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