quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Avenida

 

Numa manhã dessas, enquanto esperava a minha vez no barbeiro, folheei um exemplar de dias atrás, ou seja, repleto de notícias velhas, do jornal A Tribuna, redação onde tive o prazer de trabalhar em meados dos anos 1970. Me deparei com uma reportagem informando que tramita (ou tramitava, não atualizei a informação) na Câmara de Vereadores de Vitória um projeto para mudar o nome da avenida Dante Micheline, importante via que atravessa a praia de Camburi de uma ponta a outra, para avenida Gerson Camata, político já falecido dos mais conhecidos em terras capixabas, uma vez que foi vereador, deputado estadual e federal, governador e senador.

 

O motivo da pretendida mudança é por conta do suposto envolvimento da família Micheline com o assassinato, após rapto, em 1973, da menina Araceli Crespo, à época com 8 anos de idade. O crime teve repercussão nacional, e serviu de marco para a criação do Dia Nacional de Combate ao Abuso Sexual contra crianças. Os réus – Dante de Brito Micheline, Dante de Barros Micheline e Paulo Helal – foram absolvidos por falta de provas no ano de 1991, em segundo julgamento. O caso voltou à torna após um dos envolvidos, Dante de Brito Micheline, ter sido encontrado decapitado no sítio em que morava na localidade de Meaípe, em Guarapari.

 

Bom, não quero falar especificamente desse assunto doloroso, mas é que me veio à memória um acontecimento ocorrido quando meu pai, o jurista, professor, sociólogo, escritor, historiador e folclorista, Renato José Costa Pacheco, faleceu, em março de 2004. Para quem não sabe, meu saudoso pai era um figura  também relativamente famosa no Espírito Santo. Tanto é que o então governador Paulo Hartung decretou três dias de luto oficial, sem contar outras homenagens em muitos locais (como a Biblioteca Professor Renato Pacheco, na FDV, e outra na FAFIA, em Alegre), além de uma realizada no Parque Moscoso pelo prefeito de então, Luiz Paulo Vellozo Lucas.

 

Pois bem.....fui procurado na ocasião pelo ilustre jornalista Rogério Medeiros, velho companheiro de militâncias sindicais e jornalísticas. Ele me disse que conhecia um vereador (desculpe, não lembro o nome) que estava disposto a também propor a mudança do nome da dita avenida Dante Micheline para avenida Renato Pacheco. Levei o assunto para minha mãe e meus irmãos. Ficamos bem honrados, mas nos preocupamos com o transtorno que isso causaria aos moradores e comerciantes ali estabelecidos, com um nome já consolidado por tanto tempo, além de outras alterações que seriam necessárias nos órgãos de fornecimento de água, energia elétrica e tantas coisitas mais. E também preferíamos que ele fosse homenageado com o nome de uma escola, por exemplo, o que efetivamente aconteceu, com a Escola Estadual de Ensino Médio Renato Pacheco (*), em Jardim Camburi. Agradecemos e recusamos.

 

E nas voltas que o mundo dá, me chega uma informação de que existe uma petição popular com mais de 15 mil assinaturas defendendo que a avenida seja renomeada para Araceli Cabrera Crespo. Parece que vão mudar mesmo nome da avenida.

(*) Nessa homenagem tem um pequeno erro, quem sabe ainda passível de correção. É que o nome oficial da escola ficou sendo Renato José da Costa Pacheco, e o nome de batismo de meu pai era Renato José Costa Pacheco, sem o “da”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário