segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Volta por cima

 


Noite de sono inconstante. Despertar com sensação de quebradeira no corpo. Tosse seca, espirros e calafrios. Nada de febre. Mal-estar generalizado. Vontade de dormir mais, e passar o dia sem fazer nada.

 

Chá de limão adoçado com mel nas primeiras tentativas de cura. Vinte e quatro depois, com sintomas mais fortes, pedido de entrega pela farmácia mais próxima: xarope fitoterápico de Melagrião, uma cartela de Benegrip e um tubo de vitamina C efervescente.

 

Dois dias depois, com soluções caseiras ineficientes, resta procurar um médico. Hospital credenciado pelo plano de saúde, atendimento emergencial, radiografia torácica e diagnóstico: pulmão com bastante secreção. Pneumonia.

 

Resultado: dez dias de amoxicilina, antibiótico de amplo espectro indicado para tratamento de infecções bacterianas. E mais um xarope para os brônquios.

 

Três dias depois a disposição para fazer alguma coisa voltou, mesmo que não seja ainda muita coisa a ser feita. Mas a tosse seca persiste. Os músculos abdominais estão duros de tanto esforço ao tossir. Até espirrar é doloroso. Já durmo melhor, mas não muito, pois a cada duas ou três horas acordo a casa toda com o alarido da tossida.

 

Mais uma semana de medicação. Espero que ela seja realmente eficaz. Ficar doente é uma m.....Talvez, por isso, Paulo Cintura, personagem da saudosa (a original) Escolinha do Professor Raimundo dizia: “Saúde é o que interessa. O resto não tem pressa”.

 

Tecnicamente, “pneumonias são provocadas pela penetração de um agente infeccioso ou irritante (bactérias, vírus, fungos e por reações alérgicas) no espaço alveolar, onde ocorre a troca gasosa. Esse local deve estar sempre muito limpo, livre de substâncias que possam impedir o contato do ar com o sangue” (Biblioteca Virtual em Saúde).

 

Porém, como dizem que nada acontece por acaso, fui tentar entender o sentido espiritual de tal patologia numa pessoa. Nada muito agradável, como era de se esperar. No quase onisciente Google, psicólogos, espíritas e estudiosos esotéricos falam que a pneumonia afeta quem guarda mágoas profundas, esteja triste ou pesaroso e com falta de coragem para continuar.

 

E de acordo com a Medicina Tradicional Chinesa, o pulmão é o primeiro órgão a se “levantar”, sendo responsável por levar a energia para todo o corpo e também para direcionar o sangue e, portanto, oxigênios nos órgãos. Por isso que os primeiros horários da manhã são os melhores para se meditar.

 

Bom, é certo que andei bastante desiludido com umas tantas coisas nesses tempos esquisitos em que vivemos, mas não a ponto, acredito, de querer desistir. Afinal, tenho sonhos, que não são exclusivos dos jovens, pendentes de realizações, e quero concretizá-los nesta existência, se o bom Deus me permitir. Assim, estou seguindo em frente.

 

Vou aproveitar e tomar um banho de plantas para afastar a panema, com muito alecrim, cidreira, capim santo, raiz de alface, alfavaca, cravinho, camomila, aroeira e arruda.

 

Sai para lá coisa ruim, que eu tenho quem reze por mim.

 

Saravá, meu Pai, minha Santa Nossa Senhora!

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Vida que segue...

 


                Todos os meus temores estavam infundados.

 

        Não houve briga, ou pouca briga, as seções eleitorais funcionaram regularmente, apesar das filas, e as urnas eletrônicas cumpriram sua função a contento, pelo menos não se ouviu nenhuma reclamação, que eu saiba.

 

        Os eleitos comemoram, os que, desta vez, não venceram lambem as feridas e aqueles que ainda têm um segundo turno pela frente preparam, renovam e buscam diferenciadas estratégias que garantam a vitória nessa fase decisiva.

 

        E a dita festa da democracia aconteceu. Segunda-feira amanheceu e todos voltamos ao batente, à rotina diária e aos afazeres de sempre. Os problemas continuam? É claro. Soluções à vista? Nem tanto. Mas estamos sobrevivendo.

 

        Dia 30 de outubro tudo estará resolvido. Daqui até lá em alguns estados e nacionalmente a campanha eleitoral continua. Espera-se que seja mantido um mínimo de civilidade entre os litigantes. Afinal, o debate é de ideias, e ao final de todo o processo continuaremos sendo parentes, vizinhos e morando nos mesmos lugares.

 

        Atribui-se a Winston Churchill a frase de que “a democracia é o pior dos regimes políticos, mas não há nenhum sistema melhor do que ela”. Quase todos os países ocidentais usam este sistema, cuja origem é atribuída aos antigos gregos, inclusive quanto à etimologia da palavra: demos = povo; kratos = poder.

 

        Esse tipo governo em que o cidadão, através do comparecimento periódico às urnas, exerce a soberania popular elegendo os dirigentes para cargos dos poderes Legislativo e Executivo (em alguns outros países até de algumas instâncias do Judiciário), tem hora que parece um tanto complicado, com inúmeros acordos, esquemas e conchavos, onde os gatos não são tão pardos quanto parecem e o adversário de hoje pode ser o apoiador de amanhã.

 

        Mesmo assim, é o que melhor se aproxima de um efetivo governo do povo, pelo povo e para o povo – idealmente falando. Precisamos continuar praticando, sem enveredar por aventuras outras. Uma hora saberemos escolher melhor e teremos prefeitos, governadores, presidentes, deputados e senadores que façam jus à confiança recebida de nós, meros eleitores.

 

        Que venha o segundo turno.

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Arrogância

 


        Estava a ouvir de uma pessoa que considero bem inteligente, e que gosta de estudar temas históricos, uma compreensão sobre o motivo que levou Jesus a ser crucificado pelos romanos, que dominavam, naquela época, a região onde hoje está instalado o Estado de Israel.

 

        Dizia o cidadão que foi simplesmente um ato de arrogância dos invasores. Como todos que querem implantar suas ideias pela força, também os romanos buscavam mostrar, com aquela atitude, quem mandava, mesmo que para isso tivessem que matar um inocente.

 

        Tudo, então, para intimidar os judeus, que continuariam submissos e manteriam os pagamento dos impostos a César, que era o que realmente interessava aos dominadores.

 

        Verdade ou não é um entendimento, passível de contra-argumentação. Porém, sendo isento do conhecimento necessário para debater o tema, me quedo silenciosamente. Mas o ponto “arrogância” chamou a minha atenção, uma vez que parece, até hoje, permear as relações entre os povos, e mesmo entre pessoas no dia a dia.

 

        O caso mais recente, no cenário mundial, é a insana guerra da Rússia contra a Ucrânia, por exemplo, em que um tiraninho qualquer se arvora no direito de invadir um país soberano para impor a sua vontade, ao custo de milhares de vidas e o silêncio cúmplice da comunidade internacional.

 

        No trato humano o noticiário diário está repleto de casos, principalmente do racismo estrutural que permeia a derme social brasileira, além do tradicional “você sabe com quem está falando?”

 

        Pequenos que somos perante a natureza divina é quase inacreditável encontrar quem se ache melhor do que os outros, e com atos e palavras pretende, na marra, fazer valer seu pensamento, como se ninguém mais tivesse discernimento suficiente para escolher seu próprio caminho. Haja paciência!

 

        Lô Borges e Milton Nascimento, em Paisagem da janela, já profetizavam: “Mensageiro natural de coisas naturais/Quando eu falava dessas cores mórbidas/Quando eu falava desses homens sórdidos/Quando eu falava desse temporal/Você não escutou”.

 

        Afinal, “...gado a gente marca/Tange e ferra, engorda e mata/Mas com gente é diferente” (Disparada – Geraldo Vandré).

 

        Vai passar.

domingo, 18 de setembro de 2022

Além da imaginação

 


       No final dos anos 50 e início da década de 60 fez muito sucesso uma série de televisão denominada The Twilight zone (no Brasil, “Além da imaginação”), criada e produzida por Rod Serling, que teve cinco temporadas e 156 episódios.        Posteriormente, já no século 21, Jordan Paele produziu uma versão atualizada daquele seriado antológico.

 

        “Além da imaginação” apresentava histórias de ficção científica, suspense, fantasia e terror, com elementos  sobrenaturais e inexplicáveis, como viagens no tempo, mundos paralelos, passeios espaciais, ETs, fantasmas, vampiros e outros bichos misteriosos e assustadores. Elas aconteciam num local conhecido por “Zona do Crepúsculo” (www.adorocinema.com/series/serie-382).

 

As coisas ditas “fantásticas” geralmente não são bem compreendidas, e até causam medo na maioria das pessoas, exatamente por este motivo: como são de difícil compreensão, muitos preferem ignorá-las, achando que não fazem sentido ou não passam de mentiras ou um tipo de invenções e lorotas populares.

 

        Entretanto, existem fatos milenares que são narrados de geração em geração e atravessam séculos até chegarem aos tempos atuais. São quase impossíveis de comprovações, mas permanecem vivos no imaginário popular, alimentando a ideia de que há coisas que estão além da nossa visão comum. Estão presentes em todos os países, e fazem muito sucesso.

 

        A mitologia grega, por exemplo, nos legou, entre outras narrações, “A Caixa de Pandora”, “Os 12 trabalhos de Hércules” e “A guerra de Tróia”, esta última apontada por estudos e pesquisas arqueológicas mais recentes como um fato verídico. É sabido que os mitos buscam explicar a origem de diversos elementos da natureza, além de ensinarem sobre o comportamento humano.

 

        Pindorama também tem divindades, muitas advindas das tribos de índios, tais como Tupã, Jaci e Guaraci. O folclore brasileiro, que aglutina elementos portugueses, africanos e indígenas, é um dos mais ricos, com seus personagens de caráter espectro: Saci Pererê, Curupira, Iara, Mula sem cabeça, Boto cor-de-rosa, etc. A cultura popular, assim, cria uma identidade nacional.

 

        Não acredito e nem desacredito. Na dúvida, é melhor não arriscar.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Figurinhas

 


        Nada como uma Copa do Mundo de Futebol para mudar um pouco o foco da atenção da galera. E junto com as novidades do esporte bretão chega o álbum de figurinhas dos jogadores das seleções classificadas para o certame.

 

        Jovens e adultos procuram os 670 cromos, a um custo total de R$ 536,00, isso se o colecionador não comprar, nos 134 pacotes necessários, figurinha repetida, o que é quase impossível. O álbum propriamente dito custa 12 reais ou R$ 44,90 na versão de capa dura.

 

        De quatro em quatro anos o frenesi toma conta dos aficionados. Também, em priscas eras, fui atingido por essa vibe. Do mesmo jeito que acontece hoje (com exceção dos grupos midiáticos que negociam as figurinhas especiais) levávamos para a escola as repetidas para troca ou disputa no “bafo”. Me lembro que, em determinada ocasião, negociei um coleirinho por uma figurinha do Rivelino, uma das mais difíceis na época.

 

        Sem adentrar no mérito do aspecto estritamente comercial envolvido no assunto, é preciso reconhecer o ponto lúdico de interagir, ainda mais neste mundo virtual, com outros interessados, alguns que têm álbuns desde a primeira Copa, realizada em 1930, no Uruguai.

 

        De uma geração mais antiga, tem-se a história das Estampas Eucalol, produzidas pela empresa de mesmo nome fabricante de sabonetes, perfumes e talco. De 1930 a 1957 mais de 2.400 estampas de 54 temas diferentes (entre eles, Santos Dumont, aves brasileiras, Dom Quixote, compositores célebres, escotismo) foram distribuídas ao público.

 

        Algumas séries, como História do Brasil, fizeram tanto sucesso que eram até usadas como material didático nas escolas. Uma canção de Hélio Contreiras, que faz parte do repertório de Xangai, lembra: “Montado no meu cavalo/Libertava Prometeu/Toureava o Minotauro/Era amigo de Teseu/Viajava o mundo inteiro/Nas estampas Eucalol”.

 

        São todas essas coisas. Daqui a pouco vou passar em alguma banca de revistas para comprar mais uns pacotinhos, pois minha neta mais velha precisa completar o álbum dela, onde ainda faltam 89 figurinhas. Até novembro, início da competição, a coleção deverá estar finalizada.

 

        Ainda bem que essa febre só atinge as pessoas de 4 em 4 anos.

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

E o mundo não acabou...

 


        E são 200 anos de independência, desde o famoso Grito do Ipiranga, proferido pelo então Príncipe Regente às margens do riacho de mesmo nome, em São Paulo, naquele ano de 1822, mais de três séculos desde o início da colonização portuguesa em solo pátrio.

 

        Em duzentos anos se constrói muita coisa, ou nada. O Brasil continua sendo o “país do futuro”. Nos tornamos uma República, mas temos o Rei do Futebol e outros nobres tanto no esporte quando na música e em diversas outras áreas do entretenimento.

 

        Infelizmente, a campanha eleitoral serviu para tomar conta desse festejo histórico tão importante, pois (pelo menos não chegou ao meu conhecimento) não se ouviu falar de iniciativas significativas que lembrassem a data, marco inicial da construção de uma nação, com exceção, talvez, da reinauguração, na capital paulista, do Museu do Ipiranga, administrado pela USP, cuja beleza pode ser apreciada no site www.museudoipiranga.org.br.

 

        Vale registrar que a audácia de Dom Pedro I acabou custando caro ao país, pois Portugal recebeu uma indenização no valor de 2 milhões de libras esterlinas, incluindo, nesse cálculo, os 60 mil itens da Biblioteca Real que Dom João VI trouxe para o Rio de Janeiro, em 1808, quando fugiu das tropas napoleônicas. Está tudo registrado no Tratado de Paz e Aliança, assinado em 1825 entre os dois países e arquivado na Torre do Tombo, em Lisboa.

 

        Hoje, 7 de setembro de 2022, atravessamos mais um período conturbado da nossa história, e não se sabe o que o futuro reserva para Pindorama. O que poderia ser motivo de festa e união entre os brasileiros se tornou alvo de disputas insanas entre aqueles que almejam o poder pelo poder. Pelo menos, porém, o dia não teve maiores turbulências, conforme tinha sido previsto pelos arautos da desordem.

 

        Só nos resta seguir em frente, na esperança de dias melhores, onde todos, independentemente de sexo, credo e raça, se sintam acolhidos e amparados de norte a sul, de leste a oeste. Afinal, “já choramos muito/muitos se perderam no caminho/mesmo assim não custa inventar/uma nova canção/que venha nos trazer/Sol de primavera/abre as janelas do meu peito/a lição sabemos de cor/só nos resta aprender”, pois “já sonhamos juntos/semeando as canções no vento/quero ver crescer nossa voz/no que falta sonhar” (Sol de Primavera, Beto Guedes e Ronaldo Bastos).

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Aparências

 


        O uso de máscaras está caindo mais rápido do que manga madura do pé. Depois de um longo e tenebroso inverno, quase ninguém mais usa o anteparo que era moda durante os anos de auge da pandemia do novo coronavírus. Apenas nos ambientes médico-hospitalares ainda é exigida a utilização do pedaço de pano execrado por uns e exaltado por outros.

 

        Polêmicas à parte, me parece interessante observar a diferença que faz ver somente os olhos de uma pessoa ou o rosto inteiro. A moça que trabalha na padaria: imaginava, ao vê-la com máscara, que a feição dela fosse de um jeito. Para minha surpresa, ao me deparar com ela sem máscara, visualizei uma imagem totalmente diferente. E assim com outros também.

 

        É certo que a frase atribuída a Jesus (“as aparências enganam”) tem uma conotação mais espiritual do que material, mas não posso deixar de me lembrar dela quando encontro alguém que conheci usando máscara e agora o vejo de “cara limpa”. Neste sentido, ouso dizer que os olhos são os mais importantes no contexto de “ver” sem julgar os demais componentes (boca, nariz), dentro de um conceito que cada um tem de “beleza”.

 

        Um olhar por cima de uma anteface é capaz de emitir uma luz que nem sempre é percebida quando não se usa aquela proteção. Ao vislumbrarmos um semblante completo, os detalhes se perdem no conjunto, e um apêndice nasal grande pode contribuir para um conceito de “feiura”, da mesma maneira que uma cavidade bucal desproporcional, por exemplo.

 

        Mas como tudo tem seu lado positivo, acredito que o período mascarado contribuiu para que o “olho no olho” fosse uma constante. Assim, ressurgiu um modo de se comunicar que estava deixando de ser comum, pois predominavam as cabeças baixas e olhadas atravessadas. Doravante, quem sabe, o contato visual servirá para sermos mais sinceros e amorosos ao nos fixarmos no lume que todos emanamos.

 

         Daí é dito: “A luz do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!” (Sermão da Montanha, Evangelho segundo Mateus, capítulo 5).

            Foquemos, pois, positivamente, na bondade e na Luz Divina.