É de amplo conhecimento
público que Guarapari, nesta época do ano, principalmente depois do Natal e até
o Carnaval, é invadido por hordas de turistas de muitas outras localidades, mas
principalmente aqueles oriundos das Minas Gerais. Fala-se até de um acréscimo populacional, ao longo da temporada, de mais de 1 milhão de pessoas.
Prédios inteiros, que passam
o restante do ano com poucos habitantes, são ocupados de cima a baixo,
superlotando garagens e apartamentos. Da minha sala, ponto de observação
discreto, acompanho de longe, quando não estou me ocupando com nada melhor, o
movimento de 24 varandas do outro lado da rua, que na baixa temporada só servem,
em sua ampla maioria, para acumular poeira. Impossível não olhar, até porque,
imagino, eventualmente posso estar sendo olhado também.
São pessoas de todas as cores
e idades, com seus hábitos e horários distintos. Um solitário senhor de bigode ao
estilo do humorista mexicano Cantinflas, logo cedo senta-se numa cadeira de alumínio
a pitar um cigarro. Um pouco mais no alto, uma família se movimenta com
apetrechos de praia. À esquerda, um casal de idosos limpa vidraças e janelas. Em
outra, aciona-se um Mop numa mão e em outra atualiza-se a mensagem do celular.
Em duas delas uma rede atrai
a preguiça após um banho de mar. Uma outra virou depósito, com tralhas
diversas, desde uma churrasqueira enferrujada até cadeiras amontoadas entre
pedaços de compensado. Poucas, talvez três, possuem vasos de plantas. Acho que
são dos moradores fixos, porque ninguém vai ficar carregando essas espécies
vegetais ornamentais de um lado para o outro.
Um ponto em comum são os
varais. Diuturnamente é aquela faina de estender ao Sol calças, camisas,
toalhas e até roupas íntimas, que são recolhidas ao cair da tarde. Uma varanda,
com seus vidros quase sempre fechados e indevassáveis, não deixa passar nada,
somente a luz opaca de uma lâmpada acesa. Nas horas matinais, em outro ponto, uma
senhora tricota o seu crochê, tendo ao lado uma jovem que beberica tranquilamente
uma xícara de café ou alguma outra coisa.
Fico imaginando o que faz
tanta gente deixar os seus lares para um acampamento, por assim dizer, um tanto
improvisado, onde a impressão que fica é que a rotina diária é intensificada,
com as demandas que uma temporada de férias trazem. Será que voltam para casa
descansados ou mais cansados ainda? Mas acho que gostam, porque todo ano
voltam. Sejamos felizes.
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