Acostumado a pisar em terra firme e a não entrar na água além do limite da altura do umbigo, resolvi aceitar o convite de um amigo para dar um passeio pela orla marítima de Guarapari, desde o Canal até as Três Praias, a bordo de uma pequena mas potente lancha com capacidade para oito pessoas sem contar o capitão da embarcação, no caso, o próprio proprietário.
Logo na saída da marina, em Perocão, fomos surpreendidos por uma pane seca, e ficamos parados uns tantos minutos aguardando outra embarcação trazer combustível para fazer o reabastecimento. Início promissor, para não dizer o contrário. O mar estava calmo, com pouco vento e, na sequência, chegamos logo ao primeiro ponto turístico: 3 Praias.
Na verdade paramos naquela que é considerada a segunda das três praias, onde um grupo de amigos nos esperava. Fiquei na areia enquanto esses outros convidados davam um giro. Na volta, já mais vermelho do que camarão, passamos em frente à praia do Morro até o Canal sob a ponte que interliga o centro da cidade aos bairros.
Quando retornávamos à marina, eis que novamente acabou a gasolina da lancha. Dessa vez o vento soprava com maior intensidade, e o socorro demorou. Com isso, a marola que balançava o barco começou a me enjoar (devia ter tomado um remedinho, mas fiquei com medo de ter sono). Estava também de estômago vazio. Graças a Deus conseguimos aportar antes que eu tivesse que entornar o caldo.
Resumindo: apesar de a visão do mar para a terra ser das mais interessantes, com uma nova perspectiva de locais onde anteriormente havia andado tão somente a pé, cheguei à conclusão de que não nasci para ser marinheiro. “Quem é do mar não enjoa”, já cantava o veterano sambista Martinho da Vila, mas minha “praia” mesmo é o velho e bom chão firme.